Sentada em uma das mesas do salão gourmet do hotel em que está hospedada em Brasília, Francielle mal consegue comer o croissant que está à sua frente, de tão cansada. Também, não é para menos. Teve poucas horas de sono após participar de uma sessão da câmara que entrou pela madrugada, e agora, sete da manhã, já está em reunião com uma assessora que lhe passa as primeiras notícias políticas e lhe informa os compromissos do dia. De óculos escuros e usando um sobretudo, a deputada mal consegue acompanhar as palavras da outra, mas faz um esforço para concordar com tudo que ela diz. Mal imagina ela que, daqui há pouco tempo, uma bomba vai lhe deixar bem acordada…
Assim que tem uma brecha na fala quase ininterrupta da assessora, se levanta, e diz para a moça que se encontram mais tarde. Sobe de volta para o seu quarto, a fim de tentar dormir mais um pouquinho antes do primeiro compromisso. É acordada duas horas depois pelo insistente toque do celular. Tenta dar uma bronca na assessora assim que atende, mas a outra, sempre falante e persuasiva, a faz desistir do seu intento quando ouve seu nome foi citado em uma dessas delações premiadas de uma grande operação da Polícia Federal. Francielle gela, apesar de saber que não participou de nenhum esquema de corrupção. Ainda assim, é uma tremenda dor de cabeça logo agora que estava sendo cotada para assumir a liderança do partido na câmara. Após pensar um pouco, manda a funcionária marcar, para dali a uma hora, uma coletiva de imprensa para a sala de convenções do próprio hotel onde está hospedada.
A hora passa rápido, e logo a assessora está batendo à porta do quarto da deputada para acompanhá-la à entrevista. Quando abre a porta e segue pelo corredor, a funcionária estranha e indaga Francielle por não ter trocado o sobretudo. De tão nervosa, a deputada nem ouve a pergunta, e muito menos se dá conta de que usa uma roupa que, apesar de lhe cobrir o corpo até abaixo dos joelhos, só tem por baixo apenas calcinha, sutiã e uma cinta liga preta que lhe veste as pernas até o meio das coxas. Além disso, não arrumou os cabelos, que, mesmo curtos, estão meio emaranhados, e tampouco passou maquiagem. Continua, ainda, com os óculos escuros, imprescindíveis para esconder as olheiras da noite mal dormida. Mas, compondo o look, usa um belo salto alto preto, a primeira opção encontrada ao revirar a mala.
Quando chega na sala, amontada de jornalistas e câmeras um tanto quando ruidosos, sente o clima pesado no ar. Assim que abre a porta e entra, há um silêncio quase constrangedor, e os olhares atentos e curiosos sobre o que aquela moça tão bonita e alta de vinte e cinco anos, que mais parece uma modelo e não combina nem um pouco com os engravatados de Brasília, vai dizer em sua defesa. Assim que se senta e dá bom dia, ouve sons de celulares tilintando por todas as partes da sala, e percebe que os jornalistas logo voltam suas atenções para os aparelhos. Poucos segundos depois, sua assessora também recebe uma mensagem, que logo lhe é falada e mostrada. A fonte que dizia atribuir o nome de Francielle numa delação, na verdade, escreve que se equivocou e citou a deputada errada – retificando, diz se tratar da deputada Francine, de outro partido. Relaxando na cadeira, Francielle e os jornalistas riem da situação. Se levanta, dizendo que, se não se importam, tentará dormir mais um pouquinho. Mas eis que antes de sair, nova leva de celulares agitados. A deputada estranha, e olha para o rosto da assessora, que fica vermelha e arregala os olhos para a tela. A bomba, na verdade, só chegou agora…
Antes que a funcionária mostre o vídeo para a deputada, um jornalista toma a iniciativa e conecta seu celular ao projetor da sala, apagando a luz do ambiente. No telão começa a ser reproduzido um vídeo em boa definição que, ao que parece, se passa na sala de Francielle na câmara dos deputados. A deputada toma um susto ao ver a plaquinha da mesa com seu nome ser colocada em frente a câmera. Pelas silhuetas dos presentes na sala, consegue notar que todos os olhares se voltam para si, ainda que esteja quase que totalmente protegida pela penumbra. Se encosta na parede, como quem procura um apoio para se escorar, e segura a mão da assessora. Sabe que o que está por vir não será nada lisonjeiro, e sua promissora carreira política certamente estará acabada depois dessa sessãozinha de cinema para a imprensa.
A plaquinha é afastada por um pé descalço por cima da mesa, e ao fundo, na imagem um pouco desfocada, recostada na cadeira… Francielle! Ela então fica ereta, massageia os pequenos seios expostos e olha, rindo maliciosamente, para alguém que está por trás da câmera. Até que se deita de frente no móvel, se arrastando devagar, deixando cada vez mais os seios em evidência. De repente, uma sombra comprida surge por cima da câmera até ser possível identificá-la como um… pênis ereto. Um sonoro oh toma conta da sala, e Francielle põe a mão livre sobre o peito, sentindo o coração acelerado. Na tela, se aproxima do músculo inflado com a boca aberta, até chupá-lo com vontade, o que faz com que se ouçam alguns gritinhos histéricos de jornalistas femininas que não conseguem se conter com a forte carga erótica da imagem. Enquanto isso, a assessora fala no ouvido da deputada, e tenta tirá-la dali, mas ela faz força para continuar onde está, meio que resignada com a situação.
O oral continua por mais alguns minutos, sempre de forma lenta, sem querer levar o parceiro ao gozo. Ela lambe a glande e dá estalinhos, variando com os momentos em que suga o pênis com evidente esforço, uma vez que se pode notar as veias saltadas em seu pescoço. Em seguida, Francielle fica de joelhos sobre a mesa, e vem de quatro em direção a câmera, até parar com o ventre a pouco mais de um palmo da câmera. Na tela, a intimidade totalmente lisinha da deputada faz evidenciar não só os grossos grandes lábios, mas também os pequenos, que se projetam petulantemente para fora, num róseo escuro. Com uma mão ela puxa o pênis do amante, enquanto com os dedos da outra abre espaço por entre suas pétalas. O introduz com certa dificuldade, mas finalmente inicia os movimentos de fricção, deixando o vídeo, por alguns momentos, quase que obscurecido. Os sons, porém, ganham mais destaque, e o momento do gozo é antecipado por um grito agudo de Francielle, seguido por gemidos sequenciais cada vez mais baixos, até se tornarem uma espécie de lamento.
Assim que o homem retira seu instrumento, a tela volta a ter imagem, e nela os jornalistas podem ver os grandes e pequenos lábios da deputada totalmente deflorados, empapados pelo líquido viscoso que lentamente escorre em um fiozinho até cair na mesa. Francielle então passa o dedo sobre o local, raspando-o em seguida por sua intimidade, e eleva a mão, o que não é captado pela imagem, mas logo entendido por todos. Na sala começa um murmurinho, com alguns comentários de aprovação, outros bem jocosos e até ofensivos, e, mais próximo a deputada, ouve um jornalista dizer que a fonte é quente, numa referência espirituosa. De súbito o vídeo acaba e a luz na sala é acesa. Francielle, pálida, não consegue deixar de olhar para o telão. Ao seu lado, a assessora, envergonhada, tenta tomar a rédea da situação, dizendo que sua cliente não tem condições momentâneas de falar, mas que irá, em breve, esclarecer o caso. Os jornalistas, como não podia deixar de ser, caem em cima com milhares de perguntas ao mesmo tempo, rodeando as duas, fazendo, finalmente, a deputada voltar do seu devaneio.
Não sou eu naquele vídeo, grita a deputada com as mãos na cintura, fazendo a sala ficar totalmente quieta. Os jornalistas se entreolham, mas voltam novamente a enchê-la de perguntas. Claro que não cairiam nessa desculpa. Afinal de contas, é quase consenso que político mente, e Francielle não teria o porquê fugir dessa máxima, é o pensamento coletivo, ainda mais que o vídeo é incontestável… A deputada, então, mesmo continuando a ser aconselhada pela assessora de que não continue naquele ambiente, toma uma atitude: abre espaço por entre os jornalistas e vai até a frente do auditório. Sobe na mesa, fazendo a sala novamente se calar. Vocês não acreditam em mim, não é, mas agora eu vou provar minha inocência, diz, e desabotoa o sobretudo, ficando apenas de lingerie em público. A assessora tenta, em vão, ir até a deputada, mas os jornalistas estão amontoados em volta do auditório, fotografando e filmando a cena. Agora me digam, pergunta Francielle, meu corpo é igual daquela mulher que apareceu no vídeo? Eles ignoram a pergunta, voltando a metralhá-la com inúmeras indagações.
Suando frio, coração acelerado e um nó no estômago, Francielle tira o sobretudo de vez, deixando-o cair ao chão. Em seguida, desabotoa o sutiã, e lentamente o retira, deixando expostos seus agora medianos seios, siliconados, com auréolas tão simetricamente perfeitas que fazem as jornalistas mais próximas morrerem de inveja e perguntarem sobre os gastos com a cirurgia. A deputada conta tudo: que fez a fez há alguns meses, o valor, como pagou, quanto colocou de silicone, enfim, faz questão de deixar tudo esclarecido, imaginando que, assim, vão acreditar na sua palavra. Mas é claro que eles não acreditam. Pelo menos a maioria, e as perguntas ficam cada vez mais pesadas. Francielle então sente que precisa ser mais convincente quando ouve as primeiras teses de que seu mandato pode ser cassado por quebra de decoro. Sente um frio na espinha, mas deixa a vergonha de lado quando entende que é a sua reputação que está em jogo, e faz o que já era esperado: abaixa a calcinha. Ainda com as coxas juntas, fica impossível para os jornalistas diferenciarem a vagina do vídeo com a que é apresentada ao vivo. Ainda mais que as duas são totalmente raspadas. Só é possível compará-las de uma forma…
Sob protestos, a deputada, hesitante a princípio, abre as pernas de uma vez, deixando a mostra os seus… grossos grandes lábios, assim como no vídeo! Enquanto os flashes das câmeras fotográficas estouram e as filmadoras registram tudo, Francielle vê os jornalistas se olharem trocando risinhos entre si, como que comemorando terem captado-a não só nua, como também pego-a na mentira. Mas então a deputada pede silêncio, põe a mão por dentro de sua cavidade, mostrando que está tentando esticar seus pequenos lábios, mas, diferentemente dos do vídeo, eles são menores. Agora, ouvem-se apenas os murmurinhos. Uma das jornalistas mais experientes, então, pede para a deputada de agachar e abrir bem as pernas. É o que ela faz. A mulher coloca seus dedos por dentro da intimidade da outra, forçando os pequenos lábios para fora, o que causa desconforto em Francielle, que mesmo assim aguenta calada, apesar da cara de dor. Sem sucesso, a jornalista puxa os grandes lábios para os lados, deixando ver aos mais próximo que, também diferente do vídeo, a parte interna da vagina de Francielle é de um róseo claro. Estava claro que alguém usou uma sósia para prejudicar a deputada.
A sala, agora, fica muda de vez. Tremendo de tanto nervoso, a deputada olha para a cara dos jornalistas enquanto puxa a calcinha para cima. Sem achar o sutiã, desce da mesa, veste o sobretudo mas deixa-o aberto na parte da frente, ficando com os seios ainda à mostra. Enquanto caminha pela sala em direção a saída, a assessora tenta abotoar a peça, mas ela pede para deixá-la em paz. Ao abrir a porta, se vira novamente para os jornalistas e, sem dizer nada, aponta os dois dedos do meio num movimento de cento e oitenta graus que cobre toda a sala, e sai.
Por algumas semanas o caso da deputada Francielle ainda repercutiu na imprensa. Mesmo provando na pele sua inocência, mas sem conseguir descobrir quem a caluniou, perdeu o mandato parlamentar no conselho de ética, e ainda teve que responder processo por ato obsceno movido por um pequeno grupo de jornalistas femininas presentes na sala de convenções do hotel naquele dia. Foi capa de uma revista erótica nacional de grande circulação, apareceu em diversos programas televisivos, e tenta, agora, ser prefeita em sua cidade, com o slogan: “Uma política sem nada a esconder!”