Buscar no Portal

11 de Abril, 2017 às 15:37 Por: maducd

São Vicente (SP) - Boate

tags:
Esse conto possui 3559 visita(s).

O que vou relatar, se passou há muito tempo. Hoje tenho mais de 50 anos, casado e com pouquíssima frequência faço algo.
Mas lembrar me excita e muito, e resolvi dividir com vocês algumas passagens muito lokas.


Década de 80

Com o tempo, eu e samara começamos a nos encontrar frequentemente. Eu descia para praia, com minha mãe e namorada, só com a namorada ou sozinho, mas sempre dava um jeito de vê-la, pois eu saia para surfar como era de costume logo cedo e voltava sempre no final do dia. E poucas vezes minha namorada me acompanhava, porque ficava o dia todo tomando sol e eu tomando rola.

Faltando apenas 3 meses para o final do ano, e o começo de meus vestibulares, transferi meu cursinho, para santos. O grupo singular, tínhamos esta opção, pois eram todas do mesmo dono.

Meu namoro foi esfriando, o vestibular e minha vida feminina, incentivada também por minha namorada, culminaram em nosso afastamento. O ocorrido irei contar em outra parte.

Fui para praia grande de mala e cuia, pronto para ficar 3 meses e tentar mais uma vez minha famigerada entrada em medicina. Vestibular que não teria sucesso. Hoje acho que certas cosias são bem traçadas em nossa vida.

Nosso convívio ficou frequente, podia dizer que namorávamos, tamanho era nosso grude. Samara era na verdade Maurício, 25 anos, último ano de faculdade e tinha um ateliê de moda, onde tirava seu sustento fazendo roupas para o universo gay, que na época ainda não tinha o LGBT. Sua casa era um fervor, e chegava a ser muito divertido, pois seu pai e mãe participavam ativamente de tudo que ele fazia. E quanto a mim, passava o dia quase sem ninguém saber quem eu era.

Eu saia do cursinho, e já ia para sua casa, estudar ou ajudar no que eu podia, que era quase nada, pois não tinha jeito nenhum, a não ser para as putarias.

Seu pai, um senhor bem-humorado, sempre no início da noite me chamava para acompanhá-lo no bar para tomar um aperitivo. Coisa que para mim, era costume e agradável prazer.

Esta passagem que irei relatar, começa justamente com uma ida ao bar, e mais divertido ainda, estava de shorts e uma sandália alta e prateada, que iria usar a noite. Noite esta que iriamos a uma boate alternativa em São Vicente, que iria rolar um pequeno concurso de moda. E eu seria uma das modelos de samara junto de paula pink.. Isso era muito sério para ela, que estudava e vivia moda. Para deixar registrado, um dia veria seu nome nos créditos de um filme que assisti no cinema, ela que era responsável pelo figurino.

Neste dia no bar, lembro que tomei quase que uma chamada, pois ele me pediu que me dedicasse muito naquela noite, pois era muito especial para seu filho. Assim o fiz e me dediquei muito mais do que era de costume. Era praticamente meu sogro...kkk

Voltamos para casa, e após o jantar, que sempre animado, pois a mesa sempre havia convidados, começaram os preparativos para a tão esperada noite.

Paula Pink chegou, era um negão do meu tamanho, mais forte e careca, bem ao estilo da vera verão, mas não fazia apesar do tamanho, a menor força pra segurar sua bichice.

Ele iria de fantasia e eu iria de gala.

Para pink, samara fizera uma roupa toda prateada, feita em camadas de um pano metalizado, que dava uma impressão que eram placas de metal.
Usava um maio prata, mais escuro, destacando do resto e deixando sua bunda toda a mostra, e olha que bunda. E para completar uma bota prateada que subia além dos joelhos. Tinha um salto altíssimo, além de uma base que deixava pink impossível de não ser notada. Ela passava dos 1,90m com certeza. Toda maquiada, que no seu estilo tinha que ser bem colorida. Uma maravilha de trabalho.

Tínhamos a ajuda de duas amigas inseparáveis, morena e sua irmã.

Como pink não tinha cabelo, colocaram um aplique de rabo de cavalo, bem alto e prateado em sua cabeça, e para acompanhar no mesmo estilo, me fizeram o mesmo, prenderam meu cabelo, fazendo um rabo de cavalo bem alto, e um amarrado com uma trança de cabelo vermelho, deixando a ponta comprida do meu cabelo, solto e dando a impressão que o rabo saída de um vulcão em erupção. Tudo feito por eles tinha uma explicação.
Não gostei muito, achando que iria com meu cabelo preferido, mas ganhei uma aula de etiqueta, lembrando que as mulheres nas noites chiques, ou iam de cabelo preso ou de chapéu.
Me deram uns brincos de argolas prateadas imensas, uma gargantilha prateada de pedrinhas, que ocupava todo meu pescoço e pra completar uma maquiagem forte, mas muito perfeita com direito a cílios posticos imensos. Como esse detalhe muda o rosto.

Com minhas medidas, samara fizera a roupa sem que me desse chances de ver. Quando fui me vestir, não tinha ideia da maravilha que seria.

Um Colan vermelho com as costas abertas e a frente toda de lantejoulas vermelhas e prateadas, onde nos seios, ela fez umas camadas, deixando a ilusão de uns peitinhos. Sabia que não gostava muito de inventar peitinhos que não tinha. A saia era uma coisa de fadas, uma renda vermelha transparente com toda borda como se fosse de pelúcia. Tinha um racho na frente que ia bem para cima dos joelhos, quase mostrando a beira do colan e pra completar uma curta calda que arrastava no chão. Coisa que na boate me deixaria quase sem a parte de baixo de tanto que iriam pisar. E para a completar, aquela sandália prateada imensa, que estava treinando como andar há dias, era alta e fina. Por nada não, mas acredito que ainda ando melhor de salto que muitas mulheres por aí.

Estava um absurdo de mulher, quando me via no espelho, não conseguia acreditar que era eu. Essa foi registrada em foto por seu pai, nós 3 e nossas amigas, individualmente também e acho que a foto mais linda, eu e pink. Era antagônico, divindades juntas, lindas e prontas para brilhar.
Vestida daquele jeito, poderia mostrar aquela foto pra qualquer pessoa, que ninguém me reconheceria. Fotos, que mais tarde na boate, algumas seriam tiradas por desconhecidos. Altamente excitante.

Todas prontas, fomos somente nós 3, nossas amigas não nos acompanhariam por terem seus compromissos. Eu estava com meu chevette que estava limpo e preparado para ser nossa carruagem até nosso baile de princesas. Detalhe que não pode passar, ele era rebaixado e com um belo jogo de rodas. Em nada tinha com as 3 mulheres dentro dele.

Chegamos na boate, que era um grande galpão, bem organizado todo colorido e muito divertido, e o que eu menos esperava, lotado, muito lotado.
Estacionei o carro em um lugar não muito longe da porta principal, e no caminho já deu pra perceber que seriamos bem notadas a noite inteira.
Ao entramos, samara na frente, eu e pink de guarda costas de luxo, fomos aplaudidas e ovacionadas. Achei o máximo, mas depois vi que isso era feita para todos que iriam participar do concurso.

Ganhei uma carimbada na mão e uma pulseira, que dizia que era uma competidora e depois também descobri no primeiro pedido no bar, que não pagaria nada aquela noite, eu era vip. Bendita pulseira...kkk

Preciso falar desse carimbo. No dia seguinte eu teria um simulado no cursinho as 13h e quando terminou, na saída um monte de gente discutindo sobre as perguntas, quando fui parado por uma baixinha, me perguntado onde tinha conseguido aquele carimbo em minha mão, que ela estava sentada ai meu lado na sala, e não via a hora de me perguntar. Eu dei uma desculpa de uma balada qualquer, e ela me disse que somente quem ia a tal boate, era marcado assim, e ai ela completou dizendo que na noite anterior, ela estava lá e que somente as competidoras ganharam aquela estrela na mão.
Ai não teve como dar outra desculpas, estava branco e paralisado ali na sua frente e ela me olhando rindo e quase dando um gritinhos de felicidades, quando me perguntou qual era eu??? eu já debochando da minha situação, respondi, como uma vencedora. Ela não acreditava que era eu e rimos muito, fui elogiada aos montes e acabei levando ela para casa. A encontraria outras vezes, inclusive passaria alguns dia na minha casa estudando. Ela era lésbica e quase acabaríamos tendo um namorinho, quando eu me transformava, ficava tarada em mim. Conto depois!!!

A competição era simples. Tinham 7 estilistas concorrendo com 2 modelos cada, 3 seriam classificadas para um desfile no palco e posterior premiação.
Essa marca na mão, fazia com que jurados misturados a multidão pudessem identificar-nos e quando pedido, nos faziam mostrar o modelito, fazendo um pequeno desfile particular, onde sempre além da roupa, contava também nosso charme, coisa que estava a mil em mim, estava uma putinha, ainda mais depois que comecei a beber e ficar mais a vontade.
Não sabíamos quem eram os juízes e desfilei muito mais do que o número de juízes que eram 5. Mas me divertia e muito com a situação.

Lá pelas 2h da madrugada, a festa parou e o palco se acendeu, com o dj anunciando os resultados, e fomos classificadas.

Fomos ao palco todas as meninas e fizemos um lindo desfile, e quem escolheria os vencedores, não seriam maios os juízes e sim a platéia presente, nas palmas e gritos...que putaria!!! muito divertida.

No estilo fantasia, samara foi classificada em terceira, com paula pink sendo aplaudida e ganhando sua faixa honrosa. Uma parte do objetivo estava sendo alcançado, estar em evidência, era tudo o que ela precisava, pois com certeza, viriam várias encomendas.

Mas para nossa surpresa, as palmas que ficaram para as roupas de gala, ficaram divididas entre eu e outra loira, que estava lindamente vestida, mas tinha uma grande desvantagem aos meus olhos. Era o tamanho. Eu alta, magrinha, esguia naquela roupa brilhante e sensual, aquele rabo de cavalo para cima, que me deixava mais alta ainda, contra uma baixinha e fortinha concorrente.

Para delírio de samara, ganhamos aquele que seria seu primeiro de vários concursos, e para mim consagrando meu lado feminino de vez. Em breve eu iria fazer um curso de manequim e modelo no senac em são bernardo. Onde tenho algumas histórias que com o tempo relatarei.

Na comemoração, junto ao primeiro lugar, veio um lindo buque de flores e uma faixa que exibi radiante por toda noite, ganhando mil elogios e cantadas exuberantes. A que mais me lembro e quase brigamos, foi de um dos donos da boate que me tirou de samara e me serviu um drink, mas em seu escritório, sozinhos, o que deixou samara meio emburrada. Olha que nada aconteceu, só umas passadinhas de mão bem maliciosas, pois o tal mocinho, estava com sua namorada andando por ali. E briga não era minha praia. Terminei minha bebida sendo insistentemente convidada para voltar outras vezes a boate, e que minha entrada sempre seria vip, voltei para pista e terminamos a noite, dançando e nos pegando na frente de todos.

Juntos eramos lésbicas e insaneáveis, sem o menor puder da platéia.

Voltamos para minha casa, e comemoramos muito seu primeiro prêmio. Claro que trepando muito, e aos olhares de pink que se deliciou, mas não entrou na transa, ficou ali se masturbando, mas pude ver sua rola...uhu...que maçarico. Com o tempo descobriria que samara não tinha permitido e o ciúme dela deterioraria nossa relação.

Sei que nesse conto não teve o que vocês procuram, SEXO. Mas gostaria de deixar claro, que a excitação, euforia, adrenalina que existe em se transformar, sair, ser olhada por todos e sentir que estão te desejando loukamente, é tão no quando satisfatório, quando uma bela trepada.


Bjs

Contarei outras passagens de minha vida feminina.



Só para dar um pouco de veracidade aos meus relatos. Minha mãe era maquiadora e eu era sua modelo, posso dizer que fui mais pintada (acho que em ambos os sentidos...kkk), que muitas mulheres em toda sua vida, por isso sei fazer muita coisa interessante neste campo, além de ter crescido em uma loja de roupas feminina que ela tinha.

Minha namorada era também do ramo da moda e quando na década de 80 saiu o movimento Drag queen, sai algumas vezes montada por ela, pra baladas e até hoje seus maiores amigos são gays.



Ps. se puderem dar notas aos meus relatos, Agradeço!!!

Comentários

Ainda não há comentários para esse conto.